Calendário sanitário do cavalo: vacinas, vermifugação e exames

Quais vacinas o cavalo precisa, com que frequência vermifugar e quais exames (AIE e mormo) são obrigatórios para transitar e ir a eventos. Guia prático para criadores.

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Veterinária examinando um cavalo com estetoscópio

Um plantel saudável não depende de sorte. Depende de um calendário sanitário cumprido com disciplina: vacinas na época certa, controle de verminose baseado em exame e os testes obrigatórios em dia para o cavalo poder sair da propriedade. Este guia reúne o que todo criador de Mangalarga Marchador precisa ter no caderno, com a ressalva de sempre: o calendário final é do médico veterinário que acompanha o haras, porque doses, marcas e intervalos variam com a região, a idade e o uso do animal.

Vacinas: as principais e quando aplicar

Influenza equina

A gripe do cavalo. É a vacina mais importante para animais que viajam e frequentam eventos, porque o vírus se espalha rápido em aglomerações. A imunização primária costuma ser feita em duas doses, com reforço a cada 6 a 12 meses, conforme o produto e o risco. Para trânsito com finalidade de evento, o MAPA aceita atestado de vacinação contra influenza com data não anterior a 360 dias da emissão da guia de trânsito; muitos estados e regulamentos de exposição exigem reforço mais recente.

Tétano

O cavalo é uma das espécies mais sensíveis à toxina tetânica, e ferimentos pequenos (um prego na baia, um corte de arame) são porta de entrada. Vacina anual, com reforço em caso de ferimento profundo se a última dose tiver mais de seis meses. Éguas gestantes recebem reforço no fim da gestação para transferir proteção ao potro pelo colostro.

Encefalomielite equina

Transmitida por mosquitos, com surtos sazonais em várias regiões do Brasil. Vacina anual, de preferência antes do período de chuvas, quando a população de mosquitos aumenta.

Raiva

Obrigatória ou fortemente recomendada em regiões com ocorrência de morcegos hematófagos, o que inclui boa parte do interior da Bahia. Vacina anual.

Rinopneumonite (herpesvírus equino)

Causa aborto em éguas e problemas respiratórios em potros. Em éguas gestantes, o protocolo clássico é vacinar no 5º, 7º e 9º mês de gestação. Em haras com reprodução ativa, é uma das vacinas mais importantes do ano.

Outras

Leptospirose, garrotilho (adenite equina) e outras vacinas podem entrar no calendário conforme a avaliação do veterinário e o histórico da região.

Vermifugação: por exame, não por calendário fixo

A prática antiga de vermifugar todo o plantel a cada 60 ou 90 dias com o mesmo produto está sendo abandonada, porque cria parasitas resistentes. A recomendação atual é:

  • Fazer o exame de fezes (OPG, ovos por grama) pelo menos duas vezes por ano e tratar os animais com contagem alta. Em geral, 20% dos cavalos concentram 80% dos ovos eliminados no pasto.
  • Alternar o princípio ativo conforme orientação do veterinário, e não por rodízio automático de marca.
  • Potros e éguas no pós-parto merecem protocolo próprio, mais frequente, porque são os mais vulneráveis.
  • Manejo do pasto faz parte do controle: rotação de piquetes, retirada de fezes das baias e evitar lotação alta reduzem a reinfestação.

Exames obrigatórios: AIE e mormo

Aqui não há espaço para improviso. Dois exames são exigidos pela legislação sanitária para o trânsito de equídeos, e sem eles a Guia de Trânsito Animal (GTA) não é emitida.

Anemia Infecciosa Equina (AIE)

Doença viral sem vacina e sem cura; animal positivo é sacrificado por determinação legal. O diagnóstico é feito por exame de sangue em laboratório credenciado pelo MAPA. Pelas regras federais, o trânsito interestadual e a participação em aglomerações (exposições, copas de marcha, leilões) exigem exame negativo com validade de 60 dias, e o período completo da viagem precisa estar dentro dessa validade. Para o trânsito dentro do estado, cada unidade da federação define a regra, dentro das diretrizes do MAPA; na Bahia, a fiscalização é da ADAB.

Mormo

Doença bacteriana grave, também sem cura e de notificação obrigatória. As exigências para o trânsito intraestadual são estabelecidas por cada estado, respeitando as diretrizes do Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos. Na prática, os regulamentos de eventos oficiais do Mangalarga Marchador pedem exame negativo de mormo com validade semelhante à da AIE. Confira sempre o regulamento do evento e a exigência da ADAB antes de coletar.

Como organizar

  • Coleta de sangue feita por veterinário habilitado, com o animal identificado (resenha ou microchip).
  • Envio a laboratório credenciado; o resultado sai em alguns dias.
  • Guarde os laudos originais; eles acompanham a GTA durante todo o percurso.
  • Se o haras participa de vários eventos no ano, programe as coletas para que a validade de 60 dias cubra as datas.

Guia de Trânsito Animal (GTA)

A GTA é o documento que autoriza o deslocamento do animal entre propriedades, para eventos ou para venda. Ela é emitida pelo órgão estadual de defesa (na Bahia, a ADAB) ou por veterinário habilitado, e depende de:

  • cadastro da propriedade e saldo de equídeos atualizado;
  • exames de AIE e mormo válidos;
  • atestado de vacinação contra influenza, quando exigido pela finalidade;
  • identificação individual do animal.

Trânsito com finalidade de atendimento veterinário (da propriedade para clínica registrada e volta) tem regras mais simples, e potros com menos de 6 meses acompanhados da mãe costumam ser isentos dos exames, desde que a mãe esteja em dia.

Um calendário de exemplo

QuandoO que fazer
JaneiroVacina de encefalomielite (antes das chuvas na sua região); OPG do plantel.
A cada 6 mesesReforço de influenza nos animais que viajam; OPG.
AnualTétano e raiva; revisão do protocolo com o veterinário.
Éguas gestantesRinopneumonite no 5º, 7º e 9º mês; reforço de tétano no último mês.
Antes de cada eventoAIE e mormo com validade cobrindo a viagem; GTA emitida.
SempreFicha individual por animal com datas, produtos e lotes.

Ficha individual: a ferramenta que evita esquecimento

Cada animal do haras deve ter uma ficha (papel ou aplicativo) com todas as vacinas, vermifugações, exames, ferrageamentos e atendimentos. Além de organizar o manejo, essa ficha é um argumento de venda: comprador sério pede o histórico sanitário.

No Haras Cruz Divina, as éguas do plantel, como a Una Cruz Divina, e a potra Unaí Cruz Divina seguem esse acompanhamento com veterinário credenciado.

Para continuar lendo

Fontes: Manual de Procedimento para o Trânsito de Equídeos (MAPA/SDA, IN 9/2021); IN SDA 45/2004 (AIE); IN 6/2018 (mormo); IN 52/2018 (diagnóstico de AIE). Este artigo é informativo e não substitui a orientação do médico veterinário responsável pelo plantel.