Casco do cavalo: cuidados diários, casqueamento e ferrageamento

Casco cavalo cuidados na prática: limpeza diária, intervalo de casqueamento, ferrar ou não o marchador e sinais de laminite e podridão da ranilha.

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Cavalo Mangalarga Marchador em ambiente rural

Casco do cavalo é a base de tudo o que se espera de um Mangalarga Marchador. Marcha confortável, regularidade de andamento, disposição para o trabalho: nada disso se sustenta em um pé com dor ou desequilibrado. Por isso, os cuidados com o casco não são detalhe de rotina, são parte do manejo sanitário tanto quanto vacina e vermífugo. Neste artigo, explicamos o que fazer todo dia, com que frequência chamar o casqueador, como pensar a decisão de ferrar ou deixar descalço e quais sinais exigem o veterinário.

Limpeza diária: o hábito que descobre problema cedo

O gesto mais barato e mais útil do manejo de casco é limpar os quatro pés com o casqueador de mão (a “pua”) todos os dias, ou pelo menos sempre que o animal for retirado do piquete ou da baia. Orientações de extensão universitária americana recomendam exatamente essa rotina diária, e há um motivo prático: ao levantar o pé, você vê o que ninguém vê de longe.

  • Corpos estranhos. Pedra, prego ou lasca presa na sola ou entre a ranilha e a barra podem passar despercebidos até virar abscesso.
  • Cheiro. Odor forte e desagradável na ranilha é um dos primeiros avisos de infecção.
  • Calor e sensibilidade. Casco mais quente que o normal ou animal que reage ao toque merece atenção.
  • Estado da ferradura. Cravo solto, ferradura deslocada ou borda gasta aparecem na limpeza.
  • Umidade. Baia suja, lama constante e cama molhada deixam o casco amolecido e favorecem infecção.

Faça a limpeza do talão em direção à ponta, com cuidado na região central da ranilha. Se o cavalo reage com dor quando você pressiona essa área, anote e observe nos dias seguintes.

Casqueamento: de quanto em quanto tempo

O casco cresce o tempo todo, e o crescimento desequilibrado muda o aprumo, sobrecarrega tendões e articulações e piora qualquer dor. O casqueamento (ou aparo) devolve o equilíbrio. Não existe prazo único, e é justamente por isso que o ideal é combinar a agenda com o profissional que conhece o animal.

Como referência, a extensão da Universidade de Minnesota cita intervalos de cerca de 6 a 8 semanas no verão e 6 a 12 semanas no inverno, e a extensão da Universidade Estadual de Michigan fala em 6 a 12 semanas conforme a velocidade de crescimento de cada cavalo. Esses números vêm de clima temperado. No Recôncavo Baiano, com calor, chuva e pasto bem diferentes, o ritmo real pode ser outro, e o que manda é a avaliação do casco do próprio animal.

Alguns fatores mudam o intervalo:

  • Carga de trabalho. Cavalo em marcha e em campanha costuma pedir revisão mais frequente que animal parado no pasto.
  • Calçado ou descalço. Cavalo ferrado precisa de revisão e troca de ferraduras em ciclo regular; descalço também precisa de aparo na mesma lógica.
  • Idade. Potros crescem rápido e têm o aprumo em formação. O casqueamento precoce e frequente ajuda a corrigir desvios enquanto ainda é possível, como comentamos no artigo sobre os primeiros meses do potro.
  • Estação e solo. Chuva e umidade amolecem o casco; seca e terreno duro desgastam e racham.

Sinais de que o prazo passou: pinça comprida, talão baixo e esmagado, rachaduras, lascas na parede e mudança na forma de pisar. Se o cavalo já anda diferente na marcha, o casco é um dos primeiros lugares a olhar.

Ferrar ou não o marchador?

A resposta honesta é que depende do animal, do piso e do uso. A extensão de Minnesota resume bem: todo cavalo precisa de cuidado regular com o casco, mas nem todo cavalo precisa de ferradura.

A favor de ferrar:

  • Proteção da parede contra desgaste excessivo em quem trabalha muito em estrada, pedra ou piso duro.
  • Tração em terrenos escorregadios.
  • Possibilidade de o ferrador corrigir ou apoiar um pé com problema, sempre com orientação veterinária quando há lesão.

A favor de manter descalço:

  • Menos custo e menos risco de o cravo atingir tecido sensível se a ferradura for mal colocada.
  • Mais flexibilidade natural do casco quando o piso e a carga de trabalho permitem.
  • Animais em descanso, no pasto ou em trabalho leve costumam passar bem sem ferradura, desde que o aparo esteja em dia.

O descalço não é “sem manutenção”: ele pode ficar sensível em piso pedregoso e, em alguns casos, usa botas de casco para trabalho mais pesado. Na hora de decidir, converse com o veterinário e com o ferrador, olhando a qualidade da parede, a espessura da sola, o tipo de piso onde o cavalo trabalha e o tipo de prova ou cavalgada que ele faz. Para o marchador, a prioridade é o conforto: se a ferradura ou a ausência dela muda o andamento ou causa dor, a escolha precisa ser revista.

Podridão da ranilha: sinais e cuidados

A podridão da ranilha (em inglês, thrush) é uma infecção do tecido da ranilha, geralmente começando no sulco central. O Manual Veterinário Merck descreve a causa exata como não totalmente conhecida, com bactérias anaeróbias provavelmente envolvidas. Higiene deficiente, umidade e sujeira prolongadas, pouco exercício, talões estreitos e sulcos profundos aumentam a chance. O manual lembra também que pode ocorrer mesmo em cavalo bem cuidado.

Os sinais mais comuns:

  • Ranilha amolecida, com aspecto rugoso.
  • Odor forte e secreção escura e espessa.
  • Sangramento leve ao limpar com o casqueador.
  • Dor ao pressionar a ranilha.
  • Claudicação geralmente ausente, a não ser que a infecção atinja tecidos mais profundos.

O tratamento passa por remover o tecido comprometido e aplicar produto adequado para desinfetar e secar a ranilha. A escolha do produto precisa de orientação profissional, porque alguns podem agredir tecido sadio. O prognóstico costuma ser bom com tratamento correto, embora a recorrência seja mais provável em cavalos com talões estreitos e sulcos profundos. Corrigir a baia, tirar umidade e manter exercício completam o tratamento.

Laminite: quando o casco vira emergência

Ao contrário da podridão, a laminite é uma urgência. Ela afeta as lâminas que prendem a terceira falange à parede do casco e pode causar dor intensa e danos estruturais. Sinais de alerta incluem relutância em andar, postura de quem tenta tirar o peso dos pés da frente, calor nos cascos e pulso digital forte. Se você notar isso, chame o veterinário na hora e não force o cavalo a caminhar.

Já escrevemos um guia inteiro sobre o tema: veja laminite em cavalos: causas, sinais e prevenção. Também vale lembrar que o manejo alimentar influencia o casco; leia alimentação do cavalo Mangalarga Marchador para ajustar a dieta sem exagero de concentrado.

Rotina simples para o criador

  1. Limpe os quatro cascos todos os dias e observe cheiro, calor, rachaduras e ferraduras.
  2. Mantenha agenda fixa com o casqueador ou ferrador, ajustada ao crescimento de cada animal.
  3. Deixe baias e áreas de espera secas e limpas.
  4. Escolha ferrar ou não caso a caso, com base em piso, uso e conforto.
  5. Ao primeiro sinal de dor, calor ou claudicação, chame o veterinário.
  6. Registre na ficha do animal datas de casqueamento, trocas de ferradura e ocorrências.

Este conteúdo é informativo e não substitui o médico veterinário responsável. Dor no casco, claudicação, secreção ou suspeita de laminite precisam de avaliação profissional antes de qualquer medicação ou tratamento caseiro.

Se você quer conhecer nosso plantel ou conversar sobre criação e coberturas de Mangalarga Marchador, fale com o Haras Cruz Divina pelo WhatsApp (75 98148-4820).

Fontes: Merck Veterinary Manual, “Thrush in Horses”, https://www.merckvetmanual.com/musculoskeletal-system/disorders-of-the-foot-in-horses/thrush-in-horses; University of Minnesota Extension, “Caring for your horse’s hooves”, https://extension.umn.edu/horse-care-and-management/caring-your-horses-hooves; Michigan State University Extension, “Wintertime hoof care”, https://www.canr.msu.edu/news/wintertime_hoof_care.