Cavalgada com Mangalarga Marchador: preparo e cuidados

Vai fazer cavalgada com Mangalarga Marchador? Veja como preparar o físico, o casco, a hidratação e a sela, e como cuidar do cavalo antes e depois.

Mangalarga MarchadorManejoCavalgadaCasco
Foto editorial de Mangalarga Marchador sobre cavalgada mangalarga marchador

A cavalgada com Mangalarga Marchador é um dos usos mais bonitos da raça: o andamento macio permite horas de estrada sem cansar o cavaleiro. Só que conforto para quem monta não quer dizer que o cavalo esteja pronto. Quem cria sabe que a maioria dos problemas de cavalgada (cólica, laminite, aperto de sela, cavalo que trava no meio do percurso) nasce de falta de preparo, e não do trajeto em si. Este guia reúne o que vale fazer nas semanas antes, no dia e nos dias seguintes.

Comece semanas antes: preparo físico gradual

Um cavalo de pasto ou de trabalho leve não vira cavalo de estrada de um fim de semana para o outro. Reportagem do Canal Rural, com orientação de uma veterinária de nutrição animal, recomenda começar o preparo por volta de 60 dias antes do evento, com cerca de 40 minutos de atividade por dia, aumentando o esforço aos poucos. A mesma matéria alerta que o animal sem condicionamento pode travar e perder resistência durante o percurso.

Na prática, a lógica é simples:

  • Comece com passeios curtos, em terreno parecido com o da cavalgada (subida, descida, piso duro, areia).
  • Aumente primeiro o tempo, depois a distância, e só por último a intensidade.
  • Alterne dias de trabalho com dias de descanso, principalmente no início.
  • Monte com o equipamento que será usado na cavalgada, para o cavalo e o cavaleiro se adaptarem.

O Mangalarga Marchador tem fama de resistente, e é verdade que a raça foi moldada para longas jornadas. Mas resistência da raça não substitui condicionamento individual. Um animal gordo, parado há meses ou recém-desmamado do trabalho precisa de mais tempo que um cavalo que já roda toda semana.

Marcha em ritmo sustentável

Cavalgada não é prova. O objetivo é chegar bem, e isso pede um ritmo que o cavalo consiga manter por horas. Em grupo, o erro mais comum é o cavalo ser puxado pelo ritmo dos outros: o marchador mais forte vai à frente e o mais cansado acompanha até o limite. Respeite o animal mais lento do grupo, faça paradas à sombra e, quando houver subida longa, desça e conduza o cavalo na mão em alguns trechos. Se quiser entender melhor os dois andamentos da raça, veja a diferença entre marcha picada e marcha batida.

Alimentação e hidratação

A dieta deve estar ajustada com antecedência, e não mudar de véspera. A mesma reportagem do Canal Rural alerta para um erro frequente: na pressa de deixar o cavalo “bonito” para o evento, o dono exagera na ração, o que pode causar distúrbios digestivos. Se o cavalo vai trabalhar mais, o ajuste de concentrado, volumoso e minerais deve ser feito com veterinário ou zootecnista. Há mais detalhes no artigo sobre alimentação do cavalo Mangalarga Marchador.

Alguns cuidados valem para qualquer percurso:

  • Água limpa e à vontade antes da saída, nas paradas e na chegada. Cavalo desidratado tem mais risco de cólica.
  • Oferecer volumoso (feno ou capim) antes de sair, para o intestino não ficar vazio.
  • Não dar ração em grande quantidade logo antes de montar nem logo depois de um esforço forte.
  • Observar se o cavalo bebe e come nas paradas. Animal que recusa água e alimento merece atenção.

Em dia quente, o cavalo perde líquido pelo suor, e o calor do Recôncavo e do interior baiano cobra isso. Reponha a água de forma contínua e observe sinais como respiração muito acelerada, suor excessivo ou ausência de suor, apatia e andar sem vontade. Qualquer um desses sinais pede parar, sombrear, refrescar o animal e chamar o veterinário.

Casco e ferrageamento: onde a cavalgada começa

O casco é o que mais sofre em estrada. Casco longo, desequilibrado ou com rachaduras vira dor e claudicação no meio do trajeto. Antes da cavalgada:

  • Faça o casqueamento (e o ferrageamento, quando for o caso) com tempo, de preferência algumas semanas antes, para o cavalo se acostumar com o equilíbrio novo. Fazer na véspera é arriscar.
  • Peça a um ferrador ou veterinário qualificado para avaliar se o cavalo precisa de ferradura para o tipo de piso do percurso.
  • Limpe e inspecione os cascos antes de sair, durante as paradas e ao chegar, procurando pedras, calor, rachaduras e ferradura frouxa.

Piso duro e muito esforço também aumentam o risco de laminite, uma inflamação grave do casco. Leia sobre laminite em cavalos e sobre cuidados com o casco e ferrageamento. Cavalo que pisa com cuidado, evita apoiar o casco ou tem pulso forte nas patas precisa de avaliação veterinária, não de “esperar passar”.

Sela, manta e equipamento

Um cavalo bem preparado pode ser prejudicado por sela mal ajustada. O arreio precisa respeitar a anatomia do dorso, sem pressionar a cernelha nem a coluna, e a manta deve estar limpa, seca e sem dobras. Antes da cavalgada, teste:

  • Se a sela assenta de forma uniforme, sem balançar e sem apertar o garrote.
  • Se a barrigueira e o peitoral não estão apertados demais nem frouxos demais.
  • Se o freio e a embocadura estão regulados e se o cavalo aceita bem o contato.

Nas paradas longas, alivie a barrigueira e, se possível, tire a sela por alguns minutos. Ao chegar, observe o dorso: pontos de calor, inchaço ou pelo arrepiado indicam pressão. Se aparecerem feridas, o arreio precisa ser revisto antes da próxima saída. Uma sela confortável para o cavaleiro não é necessariamente confortável para o cavalo, e quem avalia o ajuste com mais critério é um profissional de selaria experiente.

Segurança e sanidade

Antes de qualquer cavalgada, confira se o animal está em dia com vacinas e vermifugação e se a documentação para trânsito está regular, principalmente se houver deslocamento de caminhão. O artigo sobre transporte de cavalos traz o passo a passo, e o de vermifugação ajuda a organizar o calendário. Cavalo doente, com febre, tosse ou claudicação não deve ir.

Outros cuidados de segurança:

  • Use capacete e botas adequadas, e leve água para você também.
  • Conheça o trajeto, os pontos de parada e o telefone de um veterinário da região.
  • Evite estradas movimentadas e horários de calor forte.
  • Tenha o cavalo acostumado a barulho, carros, foguetes e aglomeração, comuns em eventos.

Depois da cavalgada: o cuidado que muita gente esquece

Ao chegar, não deixe o cavalo parar de repente e ir direto à baia ou à água gelada em grande volume. Caminhe com ele até a respiração e o suor normalizarem, ofereça água em pequenas porções repetidas, retire a sela e a manta, escove e examine o dorso, as pernas e os cascos. Nos dias seguintes:

  • Observe apetite, fezes, disposição e qualquer inchaço nas pernas.
  • Dê descanso e trabalho leve antes de voltar à rotina normal.
  • Fique atento a sinais de cólica, como inquietação, olhar para o flanco e deitar e rolar, e chame o veterinário na hora. Veja o artigo sobre [cólica em cavalos](/blog/colica-em-cavalos-sinais-e-o-que-fazer).

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do médico veterinário responsável pelo seu animal. Plano de condicionamento, dieta e dose de suplemento devem ser definidos por ele, de acordo com idade, peso, histórico e clima.

Se você busca um cavalo de marcha confortável para estrada e quer conhecer os animais do Haras Cruz Divina, fale com a gente pelo WhatsApp (75 98148-4820) e combine uma visita.

Fonte: Canal Rural, “Saiba como preparar o cavalo para cavalgadas” (https://www.canalrural.com.br/pecuaria/saiba-como-preparar-cavalo-para-cavalgadas-59850/), complementada por experiência de manejo do Haras Cruz Divina.